quinta-feira, 18 de julho de 2013
Operação Pasárgada - Missão 008: O vôo da doninha
Ano I - Dia 150
A situação financeira do centro espacial kerbrasileiro começa a ficar preocupante, mas os engenheiros liderados pelo doutor Kruz têm uma boa notícia: após testes bem sucedidos, o primeiro avião espacial kerbrasileiro está pronto para sua viagem inaugural.
O "Doninha I" está pronto para a decolagem. Seu piloto será Armando Kerduarte, e os passageiros são o famoso cantor tecnobrega Roberval Kerbantos e seu produtor musical Fred Kermarques, que irão gravar um videoclipe a bordo da estação espacial.
O avião é pequeno, leve e muito manobrável. Ele consegue decolar usando metade da pista do centro espacial. O nome "Doninha I" é fruto de uma confusão: o doutor Kerbraga pediu que a equipe de engenheiros escolhesse o nome de uma ave típica do Kerbrasil, e eles estava convictos de que doninhas eram pássaros.
A grande vantagem do Doninha I em relação ao seu rival, o foguete Avexado I, está no fato de que o avião espacial consiste em um único estágio. Nada é desperdiçado, a não ser combustível; e o Doninha I gasta muito menos do que o Avexado.
Na fase inicial da missão, a nave voa como um avião comum, usando os dois motores a jato. Inicialmente, o Doninha I sobe em um ângulo de 45° até uma altitude de cerca de 10 Km. Ali o avião reduz o ângulo de subida para 30°, a fim de ganhar mais velocidade horizontal com os motores a jato, que são mais econômicos que o foguete. A cerca de 20 Km de altura, quando o ar fica rarefeito demais para alimentar os jatos, o foguete central é ligado.
A parte espacial do vôo é toda feita com os jatos desligados, usando apenas o foguete. O Doninha I consegue alcançar uma órbita de 80 Km de altitude com combustível suficiente para manobrar até a estação espacial, 20 Km acima.
Aqui podemos conferir o Doninha I se aproximando de Pasárgada. Notem que, no espaço, o Doninha I é basicamente um foguete, e manobras como essa são feitas com o avião voando de ré, o que seria impossível na atmosfera.
Usando seus motores RCS, a nave se alinha e atraca na estação. O gasto de combustível foi um pouco maior que o esperado, de modo que a nave terá de pegar emprestado um pouco da reserva de Pasárgada.
Oito dias depois, os passageiros estão prontos para voltar para casa. A falta de gravidade não fez bem para Roberval Kerbantos, que precisou de vários takes para conseguir gravar o seu clipe sem expelir pelotas de vômito a cada refrão. Mal sabe ele o que enfrentará durante a reentrada atmosférica.
O Doninha I desacopla da estação, e se prepara para descer de sua órbita.
Após queimar combustível em posição retrógrada, reduzindo sua órbita, a nave se posiciona para a entrada na atmosfera.
Os engenheiros estavam muito preocupados com esse ponto da missão: a reentrada atmosférica. Felizmente, isso foi o máximo de atrito que o Doninha I enfrentou.
Restou muito pouco combustível nos tanques do avião, mas o Doninha I foi projetado para conseguir pousar mesmo com os motores desligados. A nave vence os últimos 20 Km até o centro espacial planando a maior parte do percurso.
Outro momento crítico: o pouso. O Doninha I desliga os motores, desce os trens de pouso e inclina o nariz para cima, tentando reduzir a sua velocidade ao máximo enquanto mantém a velocidade de descida baixa.
Perfeitamente alinhado à pista, o avião desce os últimos metros.
Sucesso! O Doninha I pousa suavemente e desliza pela pista até o piloto acionar os freios. Um pouso mais perfeito do que qualquer outro que Armando já havia feito, durante seu treinamento.
Os passageiros descem do Doninha I, e o cantor chega a tentar beijar o asfalto, aliviado por retornar à terra firme. Só o que ele consegue, porém, é uma rachadura no visor do capacete espacial.
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