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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Operação Pasárgada - Missão 012: Um passageiro ilustre


Ano 1 - Dia 233

É hora de levar até a estação espacial o seu mais novo e importante residente: o bilionário Hermann Kering. Com ele vão o piloto Flávio Kerrocha e o médico Dorival Kerviana, sendo que este último também ficará a bordo de Pasárgada.


O Doninha I decola rumo ao espaço. O piloto está tomando um cuidado especial para evitar solavancos, porque Kering é um senhor de 99 anos bastante debilitado. Acho que o doutor Kerbraga não sabia disso, porque o bilionário sempre foi muito misterioso e prezava sua privacidade, mas acontece que ele está pagando uma fortuna pelo privilégio de morar permanentemente na estação. Ao que parece, os médicos do ricaço indicaram que a gravidade zero diminuiria os efeitos da velhice e permitiria que ele vivesse talvez mais algumas décadas, então para ele essa viagem é um caso de vida ou morte.


Viagem que não poderia ser feita em um foguete convencional como o Avexado, dadas as altas acelerações que o bilionário decrépito sofreria. Felizmente, com o Doninha I, o vôo é muito mais suave. Aos 19 km de altitude, a nave desliga os jatos, aciona seu foguete, e se prepara para a inserção na órbita.


Desastre! Por um erro de cálculo do Flávio, que deveria estar muito nervoso com a responsabilidade de carregar um passageiro tão ilustre e frágil, o Doninha I não consegue atingir uma órbita estável! A nave esgota seu combustível, e a órbita que conseguiu atingir passa, em seu ponto mais alto, a 74 Km de altitude, e seu ponto mais baixo fica mais de 10 Km abaixo. Isso quer dizer que boa parte da órbita fica dentro da atmosfera de Kerbin, e a cada volta ao redor do planeta o atrito com o ar - mesmo o ar rarefeito daquela altitude - reduz ainda mais a velocidade e abaixa ainda mais a órbita. A nave não tem mais oxidante para fazer o foguete funcionar, apenas combustível líquido, o que só serviria para os jatos, que não precisam de oxidante mas só funcionam abaixo de uma altitude por volta de 20 Km.


O problema é grave. O Doninha I ainda tem como pousar, uma vez que pode acionar os jatos durante a descida e até planar para chegar à pista de pouso. Mas sem os foguetes, a nave teria de esperar até a atmosfera rarefeita reduzir a sua velocidade o suficiente para a reentrada. Se Kering não estivesse a bordo, essa seria a opção mais segura, mas o ancião pode não sobreviver às acelerações da reentrada. O piloto novato está próximo de entrar em pânico, sem saber o que fazer.

Felizmente, na estação espacial, temos um kerbonauta mais experiente e decidido. Sem hesitar, Juca Kerreira salta para bordo do Arretado I, que ainda tinha uma boa quantidade de combustível da sua última viagem, e desacopla a nave da estação.


Em seguida, Juca aciona os motores atômicos da nave e começa a manobrar para interceptar o Doninha I.


Juca consegue fazer com que o encontro aconteça bem no ponto onde a órbita do Doninha I passa fora da atmosfera, apesar de isso ser na face noturna de Kerbin. O escuro é o menor dos problemas, já que o Arretado I é muito menos aerodinâmico do que o Doninha. Por isso, a acoplagem tem de acontecer antes da órbita voltar a entrar na atmosfera, pois pode ser que a nave atômica não consiga mais sair, e ela não foi projetada para um pouso em Kerbin.


É um dos momentos mais tensos da história da exploração espacial kerbrasileira. O piloto do Doninha I está em pânico e não consegue manobrar a nave. O doutor Dorival Kerviana tenta de tudo para acalmá-lo, mas quem tem de se aproximar para a acoplagem é o Juca Kerreira, a bordo do Arretado I. Por sua vez, a antiga nave foi construída numa época em que os engenheiros do centro ainda não sabiam balancear muito bem os propulsores RCS, e a manobra é difícil. O prazo da manobra é até o nascer do sol no horizonte distante de Kerbin, pois segundo os cálculos dos kerbonautas, as naves irão entrar na atmosfera do planeta cinco minutos depois disso.


Juca consegue acoplar as duas naves bem na hora em que o sol aparece no horizonte. Agora é correr contra o tempo para passar o bilionário e o médico para o Arretado I e transferir um pouco de combustível do Arretado para o Doninha I.


Finalmente as naves se desatracam, com alguns segundos de sobra antes do contato com a atmosfera.


Juca não perde nem um segundo, e começa a acelerar o Arretado I para evitar a reentrada e permanecer em órbita fora da atmosfera.

 
Já o Flávio, um pouco mais calmo, usa o combustível doado pelo Arretado para reduzir ainda mais a velocidade do Doninha I, que voltará para Kerbin.


A reentrada atmosférica, que normalmente é um dos momentos mais tensos das missões, acaba sendo uma das partes mais relaxantes desta.


O Doninha I plana em direção ao centro espacial. Com toda a lambança feita pelo Flávio nesta missão, o piloto não teve escolha: o pouso terá de acontecer durante a noite. O doutor Kerbraga não está nem um pouco seguro e pensa que o novato vai espatifar a nave, mas mesmo assim está aliviado, já que pelo menos o bilionário Kering não está mais a bordo.


Felizmente, o piloto consegue fazer o pouso corretamente.


Enquanto o Doninha I desliza suavemente sobre a pista, os engenheiros debatem se o avião espacial é realmente seguro. Apesar de várias missões bem sucedidas, a margem de combustível da nave é muito estreita, o que gera uma insegurança enorme. Pode ser o caso de voltar à prancheta de desenho, e bolar uma nova nave para o transporte até a estação.
  

Enquanto isso, o Arretado I termina suas manobras e se aproxima de Pasárgada.


 Finalmente a nave se atraca na estação espacial, e os passageiros passam calmamente às suas cabines. A preocupação era de que toda essa emoção causasse um infarto no bilionário, que agora detém o recorde de kerbonauta mais velho de todos os tempos, mas Kering explica que seu coração é saudável, e que ele gosta de emoções. São os ossos que são fracos, e por isso a gravidade zero será benéfica.

Um comentário:

  1. hahaha fiquei tenso só de ler, achei que o bilionário Kering não iria suportar tamanha preocupaçao hehe

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