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terça-feira, 4 de junho de 2013

KerbrasNet - Missão 001



Ano 1 - Dia 1

Desde que peças para foguetes espaciais passaram a ser fabricadas em massa e vendidas pela Kerbanet, os países do planeta Kerbin começaram uma verdadeira corrida espacial. Kerbals de várias nacionalidades já tinham visitado o vácuo gelado além de seu planetinha azul, e alguns já haviam até pisado em Mun, a lua redonda e cinzenta de Kerbin.

Mas o país grande e letárgico conhecido como Kerbrasil ainda não tinha lançado os seus próprios foguetes. Eles estavam esperando a economia melhorar, os preços do combustível de foguetes baixarem, ou alguém mais animado tomar a iniciativa. Mas aí, é claro, ficaram sabendo que a Kerbargentina estava se preparando para colocar um kerbal em órbita, e aí a rivalidade com os vizinhos de sotaque engraçado falou mais forte.

Rapidamente, um comitê se formou, e deu início à formação do Programa Kerbrasileiro de Exploração do Espaço, que ficou bem conhecido graças a uma campanha publicitária que tinha um orçamento maior que o próprio programa.

O doutor Raimundo Kerbraga foi escolhido para chefiar o programa, e consultando o seu braço direito Glauber Kersouza, decidiu que a primeira missão seria não tripulada, porque não daria tempo de treinar um astronauta kerbrasileiro a tempo das próximas eleições.

Na imagem acima, podem ver a primeira foto de divulgação do primeiríssimo satélite kerbrasileiro no espaço. O satélite é o trambolho metálico à esquerda, e não o sujeito cabeçudo em traje espacial. Este, no caso, é Severino Kerreira, escolhido para ser o primeiro kerbonauta kerbrasileiro. Como parte do seu treinamento, o doutor Kerbraga o faz correr pelo Centro Espacial usando o traje de kerbonauta completo, pra que ele vá se acostumando.


Evidentemente, aí na foto o satélite ainda não está no espaço, e sim na pista de pouso do centro espacial. Os funcionários do centro colocavam o satélite pra tomar sol nas quintas e sextas, pra recarregar suas baterias solares até o dia do lançamento. Nesse dia eles viram o Severino passando e pediram que ele posasse pra foto ao lado do satélite, pra dar uma noção do tamanho do trambolho.


Finalmente chegou o dia do lançamento. O doutor Kerbraga ficou muito orgulhoso do foguete que a sua equipe projetou pra colocar o Kerbuleco I em órbita (eu mencionei que houve uma enquete na kerbanet pra escolher o nome do satélite?), e não entendeu porque alguns repórteres ficaram dando risadinhas quando viram a nave pela primeira vez.

Não dá pra ver aí na foto, mas o satélite fica bem guardadinho dentro da cápsula na ponta do foguete, que alguns repórteres me disseram que se chama "glande", mas eu tenho quase certeza de que esse não é o termo técnico oficial.


Lançamento! Os projetistas escolheram usar quatro foguetes de combustível sólido, por serem mais baratos do que os de combustível líquido, mais seguro. Os cálculos diziam que a coisa podia voar com apenas dois "boosters" desse tipo, mas aí até os projetistas ficavam dando crises de risadinhas que o doutor Kerbraga não entendia. Com quatro "boosters" a chance de explosão era bem maior, mas felizmente não foi o que aconteceu.



Já a alguns quilômetros de altitude, os quatro "boosters", agora esgotados, são ejetados e o foguete pode continuar a ascensão com seu motor de combustível líquido.



Nesse estágio, o foguete - apelidado pela equipe de "Bengala I" - é bastante estável. O doutor Kerbraga achava o modelo muito atraente, e até propôs que o Centro Espacial deveria vender miniaturas dele como souvenirs, mas Glauber lhe assegurou que já havia lojas especializadas que vendiam brinquedos muito parecidos.



Em certo ponto da subida, quando a trajetória atinge um apoapse na altitude desejada - no caso, 500 Km - o motor é desligado e o foguete continua a subir com a velocidade adquirida. No topo da trajetória, que infelizmente aconteceu de ser no lado noturno do planeta (por isso a imagem tratada), ocorre a abertura do casulo do satélite. A abertura é feita nesse momento, antes que a órbita seja atingida, pra que os pedaços caiam de volta no planeta, ao invés de ficarem emporcalhando o espaço sideral.


Em seguida, os motores são ligados por mais alguns segundos pra elevar a velocidade até o necessário para se atingir uma órbita circular. Notem que os painéis solares do Bengala I foram abertos assim que o foguete saiu da atmosfera de Kerbin. Nesse ponto, o Kerbuleco I está pronto para ser despejado em sua órbita.



O Kerbuleco I, com painéis e antenas desdobrados, desacopla do foguete Bengala I. É um momento histórico para a nação kerbrasileira. Agora as operadores de telefones kerbobulares não terão desculpa para a fraca cobertura, e os clientes só ficarão sem sinal na metade do tempo, quando o Kerbuleco I estiver dando a volta no planeta.



Uma vez que a sustentabilidade está em voga, o doutor Kerbraga decidiu não deixar o "Bengala I" flutuando lá no espaço, até porque o foguete tinha combustível suficiente para deorbitar, e também aqueles pára-quedas tinham sido instalados para serem usados, afinal. Na imagem, a reentrada atmosférica em sua fase mais "quente". Felizmente, os frágeis painéis solares já haviam sido retraídos.


Nessa outra imagem podem ver o "Bengala I" desacelerando em sua queda em direção ao Centro Espacial. O Glauber tinha sugerido deixar o foguete cair no meio do oceano, mas o doutor Kerbraga quis trazê-lo de volta para o Centro, já pensando em começar a coleção do Museu Espacial Kerbrasileiro. Glauber ficou muito apreensivo, com medo de que o foguete caísse bem em suas cabeças, mas o doutor lhe assegurou que os pilotos do centro de controle remoto não conseguiriam acertar o prédio do comando nem de propósito.


"Santa Mãe de Kerbus" - berrou o doutor Kerbraga apavorado, quando o foguete passou a menos de três metros da janela do centro de controle.



"Parabéns, doutor" - comentou Glauber, ainda tremendo de susto. "A sua equipe acaba de pousar o Bengala I bem na nossa porta da frente.

"Não se preocupe, Glauber" - disse o doutor, ajeitando seus óculos bifocais grossos. "Tenho certeza de que foi tudo de acordo com o plano. E, de todo modo, essa é a nossa porta dos fundos. Acho que podemos deixar ele lá, até o museu ficar pronto."

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