Ano 1 - Dia 19
Foi só o retorno de Severino do espaço ser anunciado na tevê, e patrocinadores de todos os tipos apareceram querendo bancar uma operação ainda mais ousada: a colonização de Mun, a lua do planeta Kerbin.
Foi então que a equipe chefiada pelo doutor Kerbraga decidiu que o primeiro passo para a nova missão seria estender as capacidades de comunicação do centro espacial com um satélite em órbita do satélite natural do planeta dos kerbals. O doutor Kerbraga insiste que o termo técnico para um satélite de um satélite é "sassatélite", mas não estou bem certo.
Em pouquíssimo tempo foi preparado um novo foguete para levar o Kerbuleco II à órbita munar. Na verdade o foguete foi barato e rápido porque foi feito com as peças reservas do Corisco I que levou o Saci I ao espaço. É basicamente o mesmo modelo, com a única diferença sendo o casulo que protege o novo satélite.
Lançamento! O novo Corisco I decola em direção ao espaço. Como seu predecessor, ele é mais eficiente do que potente, mas como o Kerbuleco II é mais leve que a Saci I, a aceleração é um pouco maior no começo.
O foguete vai ganhando altitude. O doutor Kerbraga decidiu que o lançamento seria pela manhã, calculando que o satélite levaria mais de 7 horas para chegar ao seu destino final, e que as últimas operações ainda aconteceriam no horário de expediente. O doutor não transformou o programa espacial kerbrasileiro em um projeto viável e econômico pagando horas extras para seus funcionários.
Os quatro "boosters" de combustível líquido se separam a uma altura de 24 Km, e o foguete segue acelerando em sua trajetória. O Corisco I é tão estável que praticamente voa sozinho, o que faz o doutor Kerbraga pensar que podia ter dado uma folga não remunerada ao pessoal do centro de controle remoto e economizado mais um pouco.
O segundo estágio do Corisco I continua a sua ascensão e, ao olhar um funcionário demonstrando o funcionamento dos estágios à nova secretária, o doutor Kerbraga finalmente percebe, ruborizado, o porquê de todas aquelas risadinhas no lançamento do Kerbuleco I.
Para alívio do doutor, o foguete sai da atmosfera de Kerbin poucos minutos depois e descarta o casulo protetor, ficando com uma aparência mais decente.
Chegando a uma altitude de 500 Km - que só foi possível por ser o Kerbuleco II uma carga mais leve do que o Saci I, o que resultava em um aproveitamento maior do Corisco I - os motores são acionados mais uma vez para circularizar a órbita.
Já com painéis solares e antenas estendidas, o Kerbuleco II se separa do Corisco I, que irá voltar a Kerbin. O satélite tem um pequeno motor semelhante ao da Saci I, e irá alcançar a lua sob sua própria propulsão.
O Corisco I queima o resto de seu combustível para desacelerar e retornar à atmosfera de Kerbin, e o atrito com o ar faz o resto. Logo os paraquedas são liberados e a velocidade de queda começa a diminuir.
A 500 m de altura os paraquedas se abrem completamente, e o foguete desce suavemente no oceano. Desta vez os controladores conseguiram que a queda fosse em águas kerbrasileiras, a menos de 30 Km do centro espacial.
Enquanto isso, o pequeno Kerbuleco II começava a sua aceleração em direção a Mun. Pela imagem parece que ele irá errar o alvo, mas é claro que a trajetória não será uma linha reta e sim uma elipse, pois tanto Mun quanto o satélite estão em órbita ao redor de Kerbin e são influenciados pela sua gravidade.
Cerca de três horas depois o satélite atinge a metade da sua viagem, e faz alguns pequenos ajustes de rota. Se seguisse a sua trajetória inicial, o vôo do Kerbuleco II terminaria no que os técnicos do centro de controle remoto chamam de "litofrenagem", mas que as pessoas comuns conhecem como "espatifamento". Por isso o Kerbuleco II aponta-se para uma direção perpendicular ao plano orbital de Mun, e tenta desviar a sua trajetória, para que esta passe uns 200 Km acima do pólo norte da lua.
Ali, bem acima do pólo norte munar, o Kerbuleco II começa a desacelerar, ou passaria direto pela lua e voltaria a descer em direção a Kerbin. Com uma queima de alguns segundos de combustível, o satélite atinge uma órbita quase perfeitamente circular.
Há um motivo para essa escolha estranha de trajetória. O satélite está equipado com um espectroscópio que irá procurar substâncias úteis na superfície munar. Com uma órbita quase polar, o satélite conseguirá, à medida que a lua gira sob sua órbita, mapear toda a sua superfície.
Assim, mais uma missão é concluída com sucesso, e a turma do centro de controle remoto aproveita que o fim da missão coincidiu co o happy hour, e sai pra comemorar.















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