domingo, 9 de junho de 2013
Operação Pasárgada - Missão 002: Atividade Extra Veicular
Ano 1 - Dia 24
A segunda missão tripulada do programa espacial kerbrasileiro começou com uma discussão entre o doutor Kerbraga, diretor do programa, e o principal consultor científico, o professor Adalton Kersilva. O professor havia sugerido que, depois de colocar um satélite em órbita de Mun, o próximo passo lógico seria colocar outro em órbita de Minmus, a segunda lua do planeta Kerbin.
"Como assim, segunda lua?" - indagou o doutor, que não sabia da existência de Minmus. De fato, enquanto que Mun era aquela grande bola brilhante no céu que os kerbals achavam a coisa mais romântica do mundo, Minmus era menor e mais distante, e só era visível a olho nu em um dia de céu limpo como um pontinho pálido. E o doutor Kerbraga era muito míope.
Além de míope, era teimoso, de modo que o professor Kersilva não conseguia convencê-lo. Glauber, o assistente do doutor, sugeriu então que tirassem a prova colocando em órbita um telescópio capaz de fotografar Minmus em detalhe, mas o doutor Kerbraga, além de míope e teimoso, era muquirana e não queria gastar com mais um satélite.
Assim, acabou ficando decidido que um kerbonauta voaria a bordo da Saci I e instalaria uma câmera no Kerbuleco I, que afinal de contas não servia para muita coisa.
Para essa missão, foi escolhido o kerbonauta Teodorico Kersouza. Ele havia sido treinado como substituto do Severino Kerreira, primeiro kerbrasileiro no espaço. Como era melhor do que o Severino na parte técnica, acharam melhor mandá-lo desta vez.
A Saci I foi retirada do armazém e recauchutada para seu segundo vôo. Um novo foguete Corisco I foi fabricado para lançá-la, e um pequeno módulo contendo a câmera para o Kerbuleco I foi instalado no nariz da nave.
O lançamento ocorreu sem incidentes, assim como a separação do primeiro estágio.
Logo o segundo estágio estava deixando a atmosfera de Kerbin.
Assim que a órbita de 100 Km de altitude fio alcançada, a Saci I se desprendeu do foguete e abriu seus painéis solares.
O foguete, após uma volta ao redor de Kerbin, desacelerou com o restante de seu combustível para cair de volta ao planeta, abrindo seus paraquedas acima do oceano, próximo à costa do centro espacial.
Mas a viagem do Saci I estava apenas começando. Assim que chegou à posição correta, Teodorico acelerou a nave mais um pouco para atingir a órbita mais elevada de 500 Km, interceptando o satélite.
Esse era um ponto bem delicado da operação, já que seria preciso calcular a órbita de modo a chegar à altura de 500 Km no momento em que o Kerbuleco I estivesse passando por aquele ponto. Vocês podem ver a trajetória da Saci I em azul, e a órbita do Kerbuleco I em verde limão, com a projeção do momento de maior aproximação.
Assim que chegou ao topo da sua órbita, ou seu apoapse, a Saci I acelerou para deixar a órbita circular, igual à do Kerbuleco I.
Em seguida, foi só uma questão de acelerar em direção ao satélite e alinhar o nariz da nave em relação ao ponto de acoplagem.
A Saci I se acopla no bumbum do Kerbuleco I, instalando o módulo com a câmera. Essa operação acabou servindo como um treinamento para as futuras operações de acoplagem que irão acontecer quando a Estação Espacial Pasárgada estiver em órbita.
Chega mais um momento histórico para a exploração espacial kerbrasileira: a primeira Atividade Extra Veicular, ou AEV. Teodorico abandona seu módulo por um momento, para completar a instalação da câmera no Kerbuleco I.
Teste da câmera: a primeira coisa fotografada acaba sendo o cabeção de Teodorico, o que faz o doutor Kerbraga pensar que talvez devesse ter escolhido um kerbonauta mais fotogênico para a missão.
Tendo completado a instalação, Teodorico volta para a Saci I e desacopla do satélite, deixando o módulo instalado para trás.
É hora de voltar para casa. A Saci I desacelera e reentra na atmosfera de Kerbin durante o pôr do sol.
Os paraquedas se abrem alguns quilômetros acima do centro espacial, e Teodorico consegue pousar a nave em segurança.
Como podem ver, Teodorico conseguiu pousar bem mais perto do centro do que Severino, mas ainda assim terá que andar mais de 3 Km.
É hora de colocar a nova câmera à prova e solucionar o debate entre o doutor Kerbraga e o professor Kersilva, debate que a essa altura já virou uma aposta. O doutor Kersilva opera remotamente a câmera do Kerbuleco I, calibrando os instrumentos e conseguindo este belo close-up da Mun.
"Se prestarem bastante atenção", diz o professor aos colegas do centro de controle, tensos de expectativa, "verão um pontinho brilhante na parte superior direita desta imagem. Notem que ele é diferente, mais nítido do que as estrelas, o que demonstra que está deveras mais próximo. Vamos ampliar o zoom e vê-lo mais de perto."
"Voilá!", exclama o professor, mostrando a indiscutível imagem de uma pequena e distante lua de cor turquesa. "Aí está Minmos!"
O doutor Kerbraga acabou tendo que raspar o bigode, como pagamento da aposta.
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