terça-feira, 11 de junho de 2013
Projeto Mun - Missão 001: A flecha atômica
Ano 1 - Dia 32
Foi bem no meio de mais uma discussão entre o professor Kersilva e o doutor Kerbraga que chegaram os resultados da análise dos dados do Kerbuleco II, o satélite que haviam colocado em órbita de Mun, a lua de Kerbin, treze dias antes.
O doutor Kerbraga fazia um discurso sobre como o futuro da exploração espaço estava nos foguetes atômicos, quando o doutor Kersilva resolveu entrar na conversa, apontando que seria mais viável esquecer os foguetes atômicos e investir no reabastecimento dos foguetes com recursos de outros planetas e luas, como o ketano.
O Glauber chegou com o relatório bem na hora em que o doutor Kerbraga estava prestes a partir pra cima do cientista, e os dois pararam a discussão para ver os resultados.
O doutor não ficou muito feliz, pois a análise espectrográfica apontava que havia vários ricos depósitos de ketano, o maravilhoso gás verde facilmente conversível em combustível, por toda a superficie da lua.
Já o professor ficou animadíssimo, e exigiu que providenciassem o pouso de uma sonda em Mun para examinar um dos depósitos mais de perto. O doutor acabou concordando, com uma condição: que usassem um foguete atômico para enviar a sonda à lua.
E foi assim que nasceu o Flecha I, o foguete cabeçudo que vocês vêem aí decolando do centro espacial. Na verdade, só o último estágio do foguete é atômico, já que acionar um foguete radioativo bem no quintal de casa não seria muito seguro, especialmente dada a alta probabilidade de a coisa explodir. O Flecha I decolou quatro "boosters" de combustível líquido, e um motor principal também tradicional.
Como nos lançamentos comuns, os "boosters" são ejetados a cerca de 24 Km de altitude, e o segundo estágio empurra o foguete para fora da atmosfera.
Já fora da atmosfera, a 100 Km de altura, o segundo estágio acelera até velocidade orbital e então se prepara do terceiro e último estágio, que então abre seus painéis solares.
O segundo estágio usa seus últimos litros de combustível para regressar a Kerbin. Mais uma vez os paraquedas são a única coisa que impede o foguete de cair em solo estrangeiro e causar um incidente internacional. O estágio acaba descendo suavemente no mar.
Muito suspense na hora em que o foguete atômico é acionado pela primeira vez. Infelizmente a janela de lançamento para a lua acontece de ser no lado noturno de Kerbin, e não dá pra ver muitos detalhes, mas se estreitarem bem os olhos verão o brilho vermelho do motor superaquecido. Por sorte, o motor foi bem projetado e não explodiu.
Algumas horas depois, na metade do caminho entre Kerbin e Mun, as tampas do casulo protetor são ejetadas. O Flecha I está nesse momento em uma trajetória de impacto com a lua, então as tampas irão se chocar com a superfície, ao invés de ficar flutuando no espaço e potencialmente atrapalhando futuros vôos.
Do ângulo oposto vocês podem ver a sonda revelada, toda dobradinha. Uma enquete na internet escolheu para ela o nome "Kerbulamba I", e o doutor Kerbraga decidiu que seria a última vez que ele deixaria o público escolher um nome.
Já na órbita de Mun, a sonda se solta da Flecha I e se prepara para aterrissagem, ou melhor, amunissagem.
A sonda desdobra seus painéis solares, desce as pernas de pouso e abre a sua antena. Os foguetes da Kerbulamba I são pequenos, mas a sonda é leve e a gravidade de Mun é de um sexto da gravidade de Kerbin. Do lado direito da imagem vocês podem ver algumas das enormes crateras munares.
Os momentos finais do vôo da Kerbulamba I, prestes a se tornar o primeiro objeto kerbrasileiro em solo munar.
Finalmente a sonda pousa, e o detector de ketano é acionado. O professor kersilva aguarda ansioso o envio dos bipes de confirmação, mas eles nunca chegam. Parece que o sensor deu algum defeito, porque não acusa a presença de ketano naquele que deveria ser o mais rico depósito do gás em Mun. Ou será que o defeito é do satélite que detectou o depósito, pra início de conversa. Só uma missão posterior conseguirá responder.
Enquanto isso, o doutor Kerbraga e Glauber discutem sobre o que fazer com o Flecha I. O doutor quer deixar o treco em órbita da lua como um monumento à audaciosidade e radioatividade brasileiras, mas o Glauber afirma que pode ser perigoso para futuros viajantes, e acaba convencendo o doutor a deorbitar o foguete em alguma cratera munar. No fim das contas eles só disparam os motores a esmo, deixando que o foguete caia onde cair, já que ninguém mora na lua mesmo.
Encerramos o nosso relatório com essa bela imagem captada pela câmera do Kerbuleco I, da Flecha I momentos antes do impacto com a superfície de Mun, na ocasião que ficou conhecida como a primeira explosão atômica kerbrasileira em outro corpo celeste.
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