quinta-feira, 6 de junho de 2013
Operação Pasárgada - Missão 001 (parte 2): o primeiro kerbrasileiro a voltar com vida do espaço
Ano 1 - Dia 16
Severino Kerreira, o primeiro kerbrasileiro em órbita, completou com sucesso a meta de 5 dias no espaço sem enlouquecer pelo confinamento na cápsula, revirar do avesso pela permanência em gravidade zero, ou entrar em combustão espontânea pela exposição aos raios cósmicos. Ficou estabelecido que o sistema de suporte vital funciona e os kerbrasileiros podem sobreviver no espaço. Agora só falta estabelecer se eles conseguem voltar vivos de lá.
"A cabine do Saci I é ultra-apertada, a janelinha é minúscula, não tem nenhum banheiro em um raio de mais de 100 Km, mas a vista vale a pena", disse Severino, em uma entrevista transmitida ao vivo às emissoras de tevê no seu terceiro dia em órbita.
Finalmente chega o amanhecer do quinto dia de missão. Bom, pelo menos do ponto de vista de Severino, pois no centro espacial já era de tardinha. Pra ser mais preciso, do ponto de vista de Severino era por volta do 150º dia de viagem, já que a Saci I completava um giro ao redor de Kerbin em pouco mais de meia hora. Severino insistia que isso fosse registrado no Livro dos Recordes, mas no final acabou concordando que 5 dias era um recorde de todo modo.
Quando chega à posição certa, a Saci I começa a queimar seu combustível para reduzir a velocidade orbital e cair em direção à superfície.
Os painéis solares são automaticamente dobrados para a reentrada atmosférica, que transforma a cápsula da Saci I em uma sauna durante alguns minutos. Felizmente não há ninguém lá dentro com Severino para sentir o cheiro do kerbonauta que, depois de passar 5 dias sem banho ainda tem que enfrentar essa suadeira.
Os paraquedas são ativados, a velocidade de queda vai diminuindo e, com ela, o atrito com o ar. Nesse ponto Severino queima boa parte do combustível restante para ajudar a desacelerar a nave e também para reduzir o peso que os paraquedas terão de suportar.
A 500 metros de altura os paraquedas se abrem completamente, e com pequenos impulsos do motor, a velocidade de descida cai para menos de 5 m/s.
Uma última queima a poucos metros do chão minimiza o impacto mas esconde a nave em uma nuvem de fumaça, atrapalhando a foto histórica do pouso e deixando o doutor Kerbraga, comandante da missão, bem chateado.
Finalmente Severino põe os pés de novo em solo kerbrasileiro! O pouso aconteceu a poico mais de 6 Km do centro espacial, e o kerbonauta quis colocar uma bandeira da missão no local para marcar o momento histórico. Notem que a cápsula fica a quase 5 metros de altura e não havia escada na nave. Quando Severino apontou esse fato pelo rádio para o doutor Kerbraga, ele explicou que era mais barato e mais leve apenas aumentar um pouco o acolchoado da parte posterior do traje espacial, de modo que o kerbonauta completou os últimos metros da sua brava jornada com uma nada honrosa queda de bunda no chão.
"Pra quem acabou de descer 100 Km nessa lata", argumentou o doutor Kerbraga, "é fichinha!"
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